17 - 21/08: Infraestrutura em Diagnóstico, a agenda semanal do NORA
By • August 21, 2026

Modernização regulatória pauta a agenda federal de transportes na terceira semana de agosto
A semana de 17 a 21 de agosto de 2026 reuniu, na infraestrutura federal de transportes, movimentos relacionados à estruturação de concessões ferroviárias, à modernização da regulação aquaviária e à integração de investimentos portuários e aeroportuários. Na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), avançou a discussão sobre a prorrogação do período de contribuições à futura concessão da Malha Sul. Na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), foram publicadas seis resoluções destinadas à reorganização das regras da navegação interior, enquanto a concessão do Sistema Aquaviário Integrado dos Portos do Sul e Lagoa Mirim (SAIP Sul-Mirim) teve sua consulta pública prorrogada. No Ministério de Portos e Aeroportos, a agenda da semana destacou os investimentos em Pernambuco e os desafios de integração entre portos, aeroportos, ferrovias e hidrovias.
A leitura integrada desses movimentos demanda considerar simultaneamente planejamento, regulação e execução. Os projetos federais encontram-se em diferentes estágios de maturação, desde a discussão de modelos de concessão até a modernização de contratos e serviços existentes. A esse conjunto somam-se iniciativas de simplificação regulatória e de ampliação da capacidade operacional dos corredores logísticos. Para o NORA, a coordenação entre essas frentes é determinante para a previsibilidade dos investimentos e para a integração entre regiões produtoras, terminais portuários e centros de consumo.
Ferrovias: participação social e modelagem da Malha Sul
Na ANTT, a continuidade da Audiência Pública nº 11/2026 manteve em discussão a futura concessão da Malha Sul, formada pelos corredores Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. A proposta compreende aproximadamente 4,2 mil quilômetros de infraestrutura ferroviária, distribuídos entre São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com conexões aos portos de Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande, além da ligação internacional com a Argentina por Uruguaiana.
A audiência pública, aberta em junho, recebeu contribuições em sessões presenciais realizadas entre 16 e 31 de julho, em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Os encontros reuniram 665 participantes e 249 inscritos para manifestações orais. Após uma primeira prorrogação do prazo de contribuições, inicialmente encerrado em 10 de agosto, a agência submeteu à Diretoria Colegiada proposta de ampliação adicional do período de participação, além dos quinze dias que poderiam ser concedidos diretamente pela comissão responsável.
A extensão do prazo permite aprofundar a análise dos estudos e das minutas contratuais, especialmente quanto à distribuição dos investimentos, às condições de recuperação da infraestrutura e à viabilidade econômica dos corredores. A reorganização da Malha Sul envolve ativos com diferentes perfis de demanda e necessidades operacionais, o que torna relevante a avaliação das conexões entre os trechos ferroviários e os terminais portuários atendidos.
A etapa de participação social antecede a consolidação dos documentos e sua posterior apreciação pelos órgãos competentes, incluindo o Tribunal de Contas da União. Para o Observatório, a qualidade da modelagem dependerá da capacidade de compatibilizar obrigações de investimento, continuidade operacional e integração da rede ferroviária regional.
Navegação interior: simplificação normativa e eficiência operacional
No transporte aquaviário, a Antaq publicou, em 19 de agosto, seis novas resoluções que reorganizam a disciplina da navegação interior. As normas, deliberadas pela Diretoria Colegiada na 616ª Reunião Ordinária, realizada em 13 de agosto, substituem onze instrumentos anteriores e integram a Agenda Regulatória 2025–2028. Sua entrada em vigor foi estabelecida para 13 de fevereiro de 2027, após período de transição de 180 dias.
A revisão abrange procedimentos de outorga, afretamento de embarcações, transporte de passageiros e cargas, travessias, operações privadas e acordos entre empresas de navegação. Entre as alterações estão a ampliação de 60 para 120 dias do prazo para entrada em operação, a possibilidade de utilização de uma mesma embarcação em diferentes linhas e a simplificação de procedimentos administrativos.
No transporte de cargas, destaca-se a regulamentação dos acordos operacionais entre empresas, que poderão envolver compartilhamento de equipamentos, cessão de barcaças carregadas e troca de espaços para formação de comboios, observados os critérios estabelecidos pela agência. Essas possibilidades podem contribuir para o melhor aproveitamento da capacidade instalada e para a redução de custos operacionais em sistemas de navegação interior.
A atualização normativa também reorganiza as regras de afretamento e os procedimentos de homologação de embarcações nos sistemas da Receita Federal, distinguindo o registro administrativo da autorização para prestação de serviços regulados. A consolidação dos instrumentos tende a reduzir a fragmentação normativa e a oferecer maior clareza aos operadores, embora seus resultados dependam da implementação das novas regras e da adaptação dos agentes regulados.
Concessões hidroviárias: SAIP Sul-Mirim e Hidrovia Verde
A estruturação de novos projetos aquaviários também avançou durante a semana. Em 19 de agosto, a Antaq anunciou a prorrogação, por sessenta dias, da Consulta Pública nº 06/2026, referente à concessão do Sistema Aquaviário Integrado dos Portos do Sul e Lagoa Mirim. O prazo para apresentação de contribuições passou a 14 de outubro, acompanhado da previsão de uma sessão presencial adicional da audiência pública em Porto Alegre.
O projeto integra a agenda de concessões de infraestrutura aquaviária e exige a avaliação das condições de operação, manutenção e investimentos necessários à prestação dos serviços. A ampliação do período de participação permite aprofundar o debate sobre os parâmetros da futura contratação e as necessidades dos usuários.
Na Região Norte, a agência divulgou em 18 de agosto os resultados da primeira reunião participativa sobre a futura concessão da Hidrovia Verde, realizada em Brasília no dia 14. O empreendimento compreende aproximadamente 1.602 quilômetros entre Manaus e a Barra Norte, na foz do Rio Amazonas, e integra os corredores logísticos do Arco Norte.
A discussão preliminar envolve as condições de navegabilidade e a possibilidade de ampliar os calados operacionais na Barra Norte, com efeitos potenciais sobre o porte das embarcações e a eficiência do transporte aquaviário. O processo prevê outras reuniões participativas em outubro e novembro, destinadas à análise de mercado, engenharia, operação e aspectos socioambientais, antes da abertura das etapas formais de consulta e audiência públicas.
Os dois projetos ilustram a ampliação da agenda federal de concessões para ativos aquaviários, cuja estruturação demanda considerar características operacionais distintas das observadas em rodovias e ferrovias, especialmente quanto à manutenção das condições de navegação e à continuidade dos serviços.
Pernambuco: investimentos portuários e integração dos modais
No Ministério de Portos e Aeroportos, a agenda de 21 de agosto concentrou-se na infraestrutura de Pernambuco. Durante encontro realizado no Recife, a pasta apresentou o panorama dos investimentos em portos, aeroportos e hidrovias, destacando a necessidade de ampliar a integração entre os sistemas de transporte e enfrentar gargalos nos acessos aos complexos portuários.
No setor aeroportuário, os investimentos informados para Recife, Petrolina e Fernando de Noronha superam R$ 1,6 bilhão. No Aeroporto Internacional do Recife, as intervenções ampliaram em 43% a capacidade do terminal de passageiros. A estratégia de interiorização da aviação inclui ainda Araripina, Garanhuns e Serra Talhada, incorporados ao programa AmpliAR.
Na infraestrutura portuária, os portos pernambucanos movimentaram 4,48 milhões de toneladas nos dois primeiros meses de 2026, crescimento de 23,42% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Suape, destacam-se intervenções de dragagem e recuperação de estruturas de proteção, além da inauguração, em junho, de um terminal de contêineres totalmente eletrificado, com investimento superior a R$ 2 bilhões e capacidade projetada para ampliar em 55% a movimentação operacional de contêineres do complexo.
No Porto do Recife, tiveram início em agosto obras de dragagem e readequação da infraestrutura aquaviária. Na navegação interior, o Ministério apresentou a previsão de implantação de uma Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte em Petrolina, além de estudos para estruturas semelhantes em outros municípios situados às margens do Rio São Francisco.
O conjunto dos investimentos evidencia a importância de considerar os acessos terrestres e as conexões ferroviárias na avaliação da capacidade logística regional. A Ferrovia Transnordestina permanece como elemento relevante dessa discussão, particularmente por sua relação com os corredores de escoamento destinados aos portos de Pecém e Suape.
As próximas semanas concentram marcos de acompanhamento em diferentes frentes. No setor ferroviário, a atenção recai sobre a consolidação das contribuições à concessão da Malha Sul e os encaminhamentos necessários à conclusão de sua modelagem. Na navegação interior, o principal desafio será a preparação dos operadores para as novas regras da Antaq, enquanto os projetos SAIP Sul-Mirim e Hidrovia Verde avançam em seus respectivos processos de participação social. Na infraestrutura portuária e aeroportuária, a execução dos investimentos e sua conexão com os corredores terrestres permanecem como indicadores relevantes da integração logística. O Observatório acompanha esses processos sob a perspectiva da coordenação entre planejamento, regulação e execução, com atenção à capacidade de transformar decisões institucionais em melhorias operacionais e investimentos efetivos.







