Por Sérgio Garcia 6 de março de 2026
A reorganização contemporânea das cadeias produtivas globais e o papel crescente da infraestrutura como ativo geopolítico foram os temas centrais do relatório preliminar apresentado pelo Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas & Ativos de Infraestrutura (NORA) na última semana, em encontro institucional dedicado à discussão dos primeiros resultados da investigação internacional iniciada durante o Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos. O encontro reuniu convidados e especialistas interessados nos temas de infraestrutura, integração econômica e transformação das cadeias produtivas globais. A apresentação integrou uma agenda mais ampla de diálogos institucionais conduzidos ao longo de 2026, incluindo interações realizadas em espaços associados ao Fórum Econômico Mundial, entre eles a Brazil House em Davos. Durante a reunião foram apresentadas as primeiras observações estruturais identificadas a partir do levantamento conduzido na Suíça. O relatório sistematiza evidências preliminares e organiza hipóteses analíticas sobre transformações recentes na economia política internacional.  A análise indica a consolidação da infraestrutura como ativo geopolítico central. Infraestrutura energética, logística e digital passa a ocupar posição estratégica na definição de competitividade sistêmica, autonomia produtiva e segurança econômica em um ambiente internacional marcado por crescente fragmentação geopolítica. Entre os principais achados preliminares destaca-se a convergência entre transição energética e digitalização como novo eixo organizador da economia global. Redes elétricas inteligentes, cadeias produtivas digitalizadas e sistemas de dados interconectados passam a configurar dimensões interdependentes da competitividade contemporânea, exigindo novas formas de coordenação entre políticas públicas, investimento privado e inovação tecnológica. O relatório examina ainda as implicações dessas transformações para economias emergentes, com ênfase nas mudanças nas cadeias globais de valor e na redefinição de estratégias de política industrial sob uma lógica crescente de soberania econômica. Contexto da pesquisa internacional A pesquisa parte das discussões estruturadas em torno da pergunta estratégica “Que 2050 queremos?”, que orientou os debates do Fórum Econômico Mundial de 2026. As interações realizadas em Davos e em agendas correlatas indicam uma mudança consistente na lógica organizadora da economia internacional, caracterizada pela revalorização do papel do Estado como coordenador estratégico e pela centralidade da infraestrutura na arquitetura econômica global, que passa a ser compreendida como elemento estruturante de resiliência, competitividade e soberania. Próximos passos O relatório preliminar integra um ciclo mais amplo de investigação conduzido ao longo de 2026. A coleta e sistematização de evidências continuará em agendas internacionais e interlocuções institucionais subsequentes, permitindo aprofundar as hipóteses identificadas na etapa de Davos. A consolidação final da pesquisa ocorrerá em nova agenda internacional prevista para o WUF13, em Baku, quando serão apresentadas as conclusões estruturadas do estudo. O objetivo é contribuir para o entendimento das transformações em curso na economia política global e ampliar a produção de análises aplicadas sobre infraestrutura, integração econômica e reorganização das cadeias produtivas internacionais.

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