comitês temáticos de pesquisa

comitê de ferrovias

Com 30 mil km de malha, mas ainda fragmentada, o comitê acompanha políticas de incentivo, marcos regulatórios e investimentos. Objetivo: ampliar a participação ferroviária para até 47% em 2035, reduzir custos logísticos e alinhar o setor à agenda de descarbonização e sustentabilidade.

comitê de rodovias

Focado no principal modal do país, que responde por 62% das cargas. Atua na análise de concessões, regulação tarifária, financiamento, manutenção e integração do modal rodoviário com outros sistemas de transporte. Objetivo: superar gargalos históricos e promover previsibilidade regulatória.

comitê de portos e aeroportos

Responsável por monitorar um setor que movimenta 95% do comércio exterior brasileiro. O foco está em investimentos privados, modernização, governança integrada e estabilidade regulatória. Objetivo: posicionar o Brasil de forma mais competitiva em cadeias globais de valor.

comitê de logística integrada

Voltado à visão sistêmica da infraestrutura como estratégia nacional. Abrange centros de distribuição, digitalização de cadeias produtivas e práticas de logística verde. Objetivo: integrar modais, reduzir custos e alinhar a logística brasileira às exigências internacionais por sustentabilidade.

comitê de políticas transversais

  • Reforma Tributária: avaliação dos impactos sobre concessões, contratos de longo prazo e competitividade empresarial.
  • Investimentos em Infraestrutura: análise de segurança jurídica, regulação e modelos de financiamento.
  • Comércio Exterior (Comex): impacto da logística e da regulação sobre cadeias globais de valor e inserção internacional do Brasil.

Esses comitês funcionam como espaços permanentes de articulação, que conectam atores públicos e privados, antecipam tendências e ajudam a consolidar agendas de longo prazo para o país.

Por Sérgio Garcia 27 de fevereiro de 2026
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a aviação civil brasileira. A agenda conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos consolidou um ciclo intenso de desestatizações, com a realização de 21 leilões aeroportuários ao longo do ano. O volume de projetos estruturados e contratados reposiciona o Brasil entre os mercados mais ativos do mundo em concessões aeroportuárias, ampliando a participação do capital privado na modernização da infraestrutura aérea. Os leilões de 2025 resultaram na contratação de aproximadamente R$ 11 bilhões em investimentos, sinalizando confiança do mercado na estabilidade institucional e na atratividade econômica do setor. Esse movimento ocorre em um contexto global desafiador para a aviação civil, o que torna ainda mais relevante a capacidade do país de estruturar projetos financeiramente viáveis, com demanda consistente e horizonte regulatório previsível. Mais do que números, o volume de leilões realizados em 2025 pavimentou o caminho para a consolidação da aviação regional como política pública estruturante. Ao ampliar a malha aérea e fortalecer aeroportos de menor porte, o modelo de concessões contribui para a integração territorial, a redução de desigualdades regionais e o fortalecimento de economias locais historicamente afastadas dos grandes fluxos logísticos e turísticos. Nesse cenário, o foco anunciado para o Nordeste em 2026 merece atenção especial. Está previsto um aporte superior a R$ 424,2 milhões em infraestrutura aeroportuária na região, direcionado à modernização de terminais, pistas e sistemas operacionais. Trata-se de um investimento com forte potencial de indução ao desenvolvimento regional, ao ampliar a conectividade aérea em áreas antes negligenciadas e ao fortalecer cadeias produtivas ligadas ao turismo, aos serviços e à economia local. Os objetivos estratégicos desses aportes vão além da ampliação da capacidade física. A melhoria da conectividade aérea reduz gargalos logísticos, encurta distâncias econômicas e aumenta a atratividade de regiões periféricas aos grandes centros. Em um país de dimensões continentais, a aviação regional cumpre papel central na coesão territorial e na integração dos mercados internos. A 2ª rodada de leilões regionais representa um novo passo nessa estratégia. O governo optou por leiloar 20 terminais sem restringir o desenho dos blocos a um critério estritamente regional, buscando atrair operadores com perfis diversificados e diferentes estratégias de negócios. A ampliação do escopo pretende aumentar a competitividade dos certames e estimular maior interesse do mercado, inclusive com expectativa de ágios mais elevados. Esse novo modelo reflete uma leitura mais madura do setor. A diversificação de operadores e a combinação de aeroportos com diferentes perfis de demanda permitem ganhos de escala, eficiência operacional e melhor alocação de riscos. A desestatização de aeroportos menores, por sua vez, alivia o orçamento público e assegura investimentos contínuos em manutenção, tecnologia e qualidade dos serviços prestados aos usuários. Apesar dos avanços, persistem desafios relevantes para a sustentabilidade do setor. Um deles diz respeito à capacidade de execução dos investimentos anunciados. A conversão dos R$ 11 bilhões contratados em obras efetivas, dentro dos prazos previstos, será determinante para a credibilidade do modelo e para a manutenção do apetite do mercado nas próximas rodadas de concessão. Outro ponto central é a segurança jurídica e regulatória. O papel da Agência Nacional de Aviação Civil e do Ministério é decisivo para assegurar contratos estáveis e mecanismos adequados de reequilíbrio econômico-financeiro, especialmente diante das oscilações próprias do mercado de aviação civil. A previsibilidade regulatória é condição essencial para a sustentabilidade de investimentos de longo prazo. A intermodalidade também se impõe como desafio estratégico. A eficiência da aviação regional depende da conexão dos aeroportos com redes de transporte terrestre, como rodovias e sistemas urbanos de mobilidade. Sem essa integração, parte dos ganhos logísticos proporcionados pela ampliação da malha aérea tende a se dissipar. O balanço de 2025 revela um ano de recordes e consolidação institucional. No entanto, o sucesso de 2026 dependerá da capacidade de entregar os novos terminais regionais com qualidade, eficiência e integração logística. O Brasil se afirma como um dos maiores mercados globais de concessão aeroportuária, o que exige vigilância técnica contínua sobre a execução dos contratos e a qualidade dos serviços oferecidos à sociedade.
Por Fernanda Oppermann 19 de fevereiro de 2026
O desempenho recente da infraestrutura portuária brasileira sinaliza um momento de inflexão relevante para a logística nacional. Em 2025, o Porto de Santos atingiu a marca histórica de 186,4 milhões de toneladas movimentadas, consolidando-se como o principal hub logístico do país e um dos mais relevantes do hemisfério sul. O resultado reflete a resiliência das exportações brasileiras, especialmente do agronegócio, ao mesmo tempo em que evidencia a crescente pressão sobre a infraestrutura logística existente. O recorde de Santos não é apenas um dado operacional, mas um indicador estrutural. O aumento consistente da movimentação portuária demonstra a capacidade do Brasil de responder à demanda global por commodities e produtos industrializados, mesmo em um cenário internacional volátil. Por outro lado, esse desempenho impõe desafios crescentes aos sistemas de acesso terrestre, à capacidade de armazenagem, à dragagem e à coordenação entre modais, sob pena de transformar eficiência portuária em gargalo logístico sistêmico. Nesse contexto, ganha relevância a conexão entre o desempenho portuário e os investimentos federais em infraestrutura hidroviária. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos aportou aproximadamente R$ 529,8 milhões em ações voltadas ao fortalecimento das hidrovias brasileiras. O investimento sinaliza uma estratégia de diversificação logística, essencial para sustentar o crescimento das exportações e reduzir a dependência excessiva de corredores rodoviários e ferroviários já saturados. A análise da movimentação no Porto de Santos revela crescimento contínuo em relação aos anos anteriores, impulsionado principalmente pelas cargas de soja, açúcar e milho, além da expansão consistente da movimentação de contêineres. Esse perfil confirma a centralidade do porto tanto para o agronegócio quanto para cadeias industriais mais complexas, que dependem de previsibilidade, escala e eficiência logística para competir internacionalmente. O recorde, contudo, impõe desafios imediatos. A manutenção da fluidez operacional exige investimentos contínuos em acessos ferroviários e rodoviários, além de políticas permanentes de dragagem para garantir calado compatível com navios de maior porte. A ausência dessas melhorias tende a deslocar gargalos para fora do cais, comprometendo ganhos obtidos no ambiente portuário. Paralelamente, o balanço dos investimentos em hidrovias em 2025 evidencia uma agenda estratégica de médio e longo prazo. Os recursos foram direcionados principalmente à sinalização, dragagem e manutenção de vias navegáveis em diferentes regiões do país, reforçando a navegabilidade e a segurança operacional. Trata-se de um passo relevante para transformar o potencial hídrico brasileiro em ativo logístico efetivo. As hidrovias oferecem vantagens competitivas claras. Além de reduzir custos de transporte por tonelada, contribuem para a diminuição das emissões de CO₂, ampliando a sustentabilidade da matriz logística nacional. Para cargas de grande volume e baixo valor agregado, como grãos e minérios, o modal hidroviário é decisivo para a redução do chamado Custo Brasil e para o aumento da competitividade internacional. A integração multimodal desponta, assim, como o caminho necessário para 2026 e os anos seguintes. O fortalecimento das hidrovias contribui diretamente para evitar a saturação do Porto de Santos e de outros terminais marítimos, ao redistribuir fluxos de carga e ampliar alternativas de escoamento. Essa sinergia entre portos, hidrovias, ferrovias e rodovias é condição essencial para sustentar novos recordes sem comprometer a eficiência sistêmica. Persistem, contudo, gargalos relevantes. Demandas por dragagem de aprofundamento, expansão de terminais e modernização de acessos terrestres seguem no centro da agenda logística. A superação desses entraves depende não apenas de recursos financeiros, mas de segurança jurídica e previsibilidade regulatória, fatores determinantes para a atração de capital privado em futuras concessões e parcerias.  O recorde do Porto de Santos em 2025 é, sem dúvida, uma vitória para a logística brasileira. No entanto, ele exige vigilância constante sobre a capacidade instalada e a coordenação entre modais. Os R$ 529 milhões investidos em hidrovias representam um passo inicial importante, mas o desafio estrutural permanece: transformar ganhos pontuais em uma rede logística integrada, resiliente e de padrão global.
Por Fernanda Oppermann 17 de fevereiro de 2026
A Caravana “Na Boleia do Brasil” encerrou recentemente seu ciclo de vistorias técnicas e agendas institucionais, colocando a infraestrutura de transportes no centro do debate público. A iniciativa percorreu corredores estratégicos do país com o objetivo declarado de dar maior transparência aos investimentos previstos nos contratos de concessão, aproximando poder público, operadores e sociedade civil da realidade concreta das obras em execução. Do ponto de vista da política de infraestrutura, a caravana se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento da fiscalização e do acompanhamento in loco de ativos logísticos críticos. A exposição pública das intervenções permite avaliar não apenas o andamento físico das obras, mas também a aderência entre o que foi contratado, o que está sendo executado e os impactos efetivos sobre a fluidez logística, a segurança viária e a redução de custos sistêmicos. No eixo Sudeste, a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) assumiu papel central nas análises. Trata-se de um dos mais relevantes corredores logísticos do país, conectando os dois principais polos econômicos nacionais, São Paulo e Rio de Janeiro. As vistorias técnicas realizadas ao longo da Dutra permitiram observar intervenções como ampliação de faixas, implantação de passarelas, melhorias em iluminação e requalificação de dispositivos de acesso, medidas que impactam diretamente o fluxo de cargas e a mobilidade urbana ao longo do corredor. A análise dos gargalos evidenciou que melhorias aparentemente pontuais produzem efeitos logísticos relevantes quando inseridas em corredores de alta densidade de tráfego. A ampliação da capacidade viária e a redução de conflitos entre tráfego local e de longa distância contribuem para diminuir tempos de deslocamento, aumentar a previsibilidade das entregas e reduzir perdas associadas a congestionamentos e acidentes. Nesse sentido, segurança viária e eficiência logística revelam-se dimensões indissociáveis do enfrentamento do chamado Custo Brasil. A caravana também lançou luz sobre a importância da expansão ferroviária e da intermodalidade como estratégia estrutural de longo prazo. As vistorias em obras ferroviárias, especialmente em trechos que destravam o acesso a portos e plataformas logísticas, reforçam o papel do modal ferroviário na redução de custos de transporte de grandes volumes, como grãos e minérios. A integração entre rodovias, ferrovias e portos é condição essencial para o equilíbrio da matriz de transportes e para o aumento da competitividade do país. O avanço da participação ferroviária no transporte de cargas representa não apenas ganho de eficiência econômica, mas também benefícios ambientais e operacionais, ao reduzir a pressão sobre corredores rodoviários saturados. A observação direta dessas obras permite avaliar se o discurso da intermodalidade está, de fato, sendo convertido em investimentos coordenados e entregas concretas. Com o encerramento da Caravana “Na Boleia do Brasil”, o principal desafio passa a ser a tradução das agendas públicas em resultados verificáveis. A iniciativa deixa como legado um conjunto de informações, compromissos e expectativas que precisam ser incorporados ao planejamento contínuo da infraestrutura nacional. A efetividade desse processo dependerá da capacidade de monitorar prazos, metas e entregas pactuadas nos contratos de concessão.  Nesse contexto, o papel do observatório torna-se ainda mais relevante. O acompanhamento sistemático do cumprimento dos cronogramas regulatórios e contratuais, em articulação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, é fundamental para verificar se as promessas anunciadas durante a caravana se materializarão dentro dos prazos previstos. Transparência, monitoramento e análise técnica contínua são os elementos que permitirão transformar a visibilidade momentânea da caravana em ganhos estruturais duradouros para a logística nacional.
Por Fernanda Oppermann 12 de fevereiro de 2026
O debate climático no Brasil atravessa uma inflexão relevante. Após décadas marcadas por compromissos internacionais, planos setoriais fragmentados e forte dependência de retórica ambiental, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de alinhar o crescimento econômico nacional às metas assumidas no âmbito do Acordo de Paris, sem ignorar os impactos sociais e produtivos dessa transformação. A transição para uma economia de baixo carbono não é apenas um desafio ambiental, mas um problema estrutural de desenvolvimento, planejamento e governança. É nesse contexto que se insere o Projeto de Lei nº 6615/2025, de autoria do Deputado Nilto Tatto (PT/SP). A proposta parte do reconhecimento de que a chamada “Transição Justa” exige mais do que diretrizes genéricas. Ela demanda instrumentos institucionais claros, planejamento de longo prazo e, sobretudo, mecanismos financeiros capazes de sustentar a transformação econômica sem aprofundar desigualdades regionais, setoriais e sociais. O conceito de Transição Justa refere-se à necessidade de compatibilizar a descarbonização da economia com a proteção do emprego, da renda e das comunidades impactadas por mudanças estruturais nos setores produtivos. Para um país como o Brasil, marcado por elevada heterogeneidade regional e forte dependência de atividades intensivas em recursos naturais, a ausência de um mapa institucionalizado de transição representa risco concreto de desorganização produtiva, exclusão social e perda de competitividade. O PL 6615/2025 propõe a criação do chamado “Mapa do Caminho Brasileiro”, concebido como uma ferramenta de planejamento estratégico de longo prazo. Esse mapa passa a integrar formalmente a Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei nº 12.187/2009, funcionando como um braço operacional voltado à coordenação de metas, ações e investimentos relacionados à transição climática. Trata-se de um movimento relevante de articulação entre política climática e política econômica. Entre os pilares estruturantes do Mapa do Caminho estão a promoção de uma economia de baixo carbono, o compromisso com o desmatamento zero e a centralidade da inclusão social no processo de transformação produtiva. Esses eixos refletem a compreensão de que a transição climática não pode ser tratada de forma setorial ou isolada, mas como uma agenda transversal que afeta infraestrutura, indústria, energia, agricultura e políticas sociais. Um dos aspectos mais relevantes do projeto é sua dimensão financeira. O PL 6615/2025 não se limita a estabelecer diretrizes programáticas, mas promove alterações em marcos legais fundamentais para garantir fontes estáveis de financiamento à transição justa. A proposta reconhece que a reestruturação produtiva impõe custos de curto e médio prazo a determinados setores e territórios, exigindo instrumentos de redistribuição capazes de mitigar impactos sociais adversos. Nesse sentido, o fortalecimento do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, instituído pela Lei nº 12.114/2009, assume papel central como motor de fomento a projetos sustentáveis, inovação tecnológica e adaptação climática. Paralelamente, o projeto inova ao vincular recursos do Fundo Social, previsto na Lei nº 12.351/2010, oriundos da exploração do pré-sal e de recursos naturais, ao financiamento da transição energética e à proteção ambiental. Essa vinculação explicita a lógica de converter riqueza natural em base financeira para um novo modelo de desenvolvimento. O projeto também enfatiza mecanismos de governança e transparência, prevendo instrumentos de monitoramento, avaliação de resultados e acompanhamento do cumprimento de metas. A mensuração de impactos e a prestação de contas tornam-se elementos estruturantes da política, reduzindo o risco de dispersão de recursos e de esvaziamento institucional das diretrizes estabelecidas. Sob essa perspectiva, o PL 6615/2025 representa um avanço qualitativo no debate climático no Congresso Nacional. A proposta sinaliza maturidade ao deslocar o eixo da discussão da retórica ambiental para a institucionalização estratégica e financeira da transição justa. Ao estruturar planejamento, governança e financiamento, o Mapa do Caminho busca assegurar que o Brasil não se limite ao papel de exportador de commodities verdes, mas consolide uma economia moderna, resiliente e socialmente equilibrada, capaz de combinar competitividade, sustentabilidade e inclusão.