A participação do NORA na COP30 e o papel da infraestrutura integrada na agenda climática global
By Sérgio Garcia • 13 de janeiro de 2026

A Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) consolidou-se como um dos principais fóruns multilaterais para a construção de consensos globais em torno da transição climática, do desenvolvimento sustentável e da reorganização dos modelos econômicos e produtivos. Nesse contexto, o NORA – Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas e Ativos de Infraestrutura participou ativamente da conferência, representado por seu Presidente, Sérgio Garcia, e por sua Diretora de Relações Institucionais e Governamentais, Fernanda Oppermann, reafirmando seu compromisso institucional com a análise estratégica de infraestrutura, logística e conectividade em diálogo com a agenda climática internacional.
A presença do NORA na COP30 teve como foco o acompanhamento de agendas diretamente relacionadas aos seus eixos de pesquisa: infraestrutura integrada, logística, conectividade territorial, energia e governança de grandes ativos de infraestrutura, especialmente no contexto da transição climática. As discussões evidenciaram que a infraestrutura passou a ocupar posição central na agenda ambiental global, não apenas como suporte ao crescimento econômico, mas como elemento estruturante das estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Infraestrutura integrada e logística no centro do debate climático
Um dos principais pontos observados ao longo das agendas acompanhadas pelo NORA foi a consolidação da infraestrutura integrada como eixo transversal das discussões climáticas. A COP30 reforçou a superação de abordagens setoriais isoladas, destacando a necessidade de pensar transportes, energia e conectividade digital de forma coordenada, considerando fluxos regionais, cadeias logísticas completas e impactos territoriais de longo prazo.
No campo da logística, o debate concentrou-se na reconfiguração de corredores logísticos multimodais, capazes de promover maior eficiência operacional, redução de emissões e resiliência frente a eventos climáticos extremos. Portos, aeroportos, ferrovias e rodovias foram discutidos como componentes interdependentes de uma malha logística integrada, cuja eficiência depende tanto da articulação entre modais quanto da qualidade do planejamento institucional e regulatório. Essa abordagem dialoga diretamente com os estudos do NORA, que partem da premissa de que gargalos logísticos não são apenas técnicos, mas também de governança e coordenação estatal.
A COP30 também reforçou a relevância de investimentos em infraestrutura de energia como pilar da transição climática. A expansão de fontes renováveis, a modernização das redes de transmissão e a integração energética regional foram temas recorrentes, sempre associados à necessidade de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e modelos de financiamento compatíveis com investimentos de longo prazo.
Infraestrutura como instrumento de adaptação e resiliência climática
Outro ponto central observado pelo NORA foi o reconhecimento da infraestrutura como instrumento fundamental de adaptação climática. As agendas destacaram a necessidade de ativos de transporte e energia capazes de resistir a eventos extremos, como enchentes, secas prolongadas e ondas de calor, sem comprometer cadeias produtivas estratégicas ou a mobilidade de pessoas e mercadorias.
Nesse contexto, ganhou destaque a importância de incorporar critérios climáticos desde a fase de planejamento de projetos de infraestrutura, incluindo avaliações de risco, análise de impactos cumulativos e mecanismos de flexibilidade contratual. A discussão sobre infraestrutura resiliente mostrou-se particularmente relevante para países com grande extensão territorial e diversidade climática, como o Brasil, onde a adaptação exige soluções diferenciadas por região.
Para o NORA, esse debate reforça a centralidade da governança da infraestrutura e da qualidade regulatória como elementos-chave para enfrentar os desafios da transição climática. A resiliência não é apenas uma característica técnica dos ativos, mas resulta de decisões institucionais, arranjos contratuais e capacidade estatal de planejamento de longo prazo.
Alinhamento entre políticas públicas nacionais e agendas internacionais
A COP30 evidenciou, ainda, que a eficácia da agenda climática depende da capacidade dos países de traduzir compromissos internacionais em políticas públicas nacionais coerentes e integradas. A conferência funciona como espaço de coordenação entre diferentes níveis de governo, organismos internacionais, setor privado e centros de pesquisa, permitindo alinhar metas globais a estratégias nacionais de desenvolvimento.
As agendas acompanhadas destacaram a importância de integrar objetivos climáticos aos instrumentos nacionais de planejamento de infraestrutura, como planos logísticos, programas de concessões, políticas energéticas e estratégias de conectividade. Esse alinhamento é especialmente relevante para países em desenvolvimento, que enfrentam simultaneamente o desafio de expandir sua infraestrutura e de cumprir metas ambientais cada vez mais ambiciosas.
Nesse sentido, a COP30 reforçou que a agenda climática não deve ser tratada como um campo apartado das políticas econômicas e de infraestrutura, mas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento. Para o NORA, essa convergência é essencial para evitar soluções fragmentadas e garantir que investimentos em infraestrutura contribuam efetivamente para a transição climática e para a redução de desigualdades regionais.
A COP como espaço estratégico de aprendizado institucional
A participação do NORA na COP30 também evidenciou o papel estratégico de observatórios e centros de pesquisa aplicada na mediação entre o debate internacional e a formulação de políticas públicas nacionais. Ao acompanhar de perto as discussões globais, o Observatório fortalece sua capacidade de produzir análises comparadas, identificar tendências regulatórias e contribuir para o aprimoramento institucional do setor de infraestrutura no Brasil.
A presença institucional de Sérgio Garcia e Fernanda Oppermann permitiu não apenas o acompanhamento técnico das agendas, mas também o diálogo com formuladores de políticas, representantes do setor privado e organismos internacionais, reforçando o posicionamento do NORA como espaço qualificado de reflexão sobre infraestrutura integrada, logística e conectividade.
Considerações finais
A participação do NORA na COP30 reafirma a centralidade da infraestrutura integrada, da logística e da energia na agenda climática global e destaca a importância de alinhar políticas públicas nacionais a compromissos internacionais. A conferência demonstrou que a transição climática exige planejamento, coordenação institucional e visão estratégica de longo prazo, especialmente em países com desafios estruturais e grande potencial de liderança climática.
Ao acompanhar as agendas da COP30, o NORA reforça sua missão de produzir conhecimento aplicado e de contribuir para o debate público sobre infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. A COP, mais do que um evento, consolida-se como um espaço privilegiado de alinhamento entre agendas nacionais e internacionais — um ambiente no qual a atuação de observatórios como o NORA se mostra cada vez mais relevante.




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