NORA e as perspectivas do Fórum Econômico Mundial de Davos 2026: desenvolvimento e articulação institucional no centro do debate global
By Sérgio Garcia • 19 de janeiro de 2026

O Fórum Econômico Mundial de Davos consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos principais espaços de articulação entre lideranças políticas, empresariais e institucionais em torno das grandes transformações estruturais da economia global. Em 2026, o evento volta a ocupar papel central na coordenação de agendas estratégicas relacionadas à reorganização dos fluxos produtivos, à reconfiguração das cadeias logísticas e ao papel da infraestrutura como base material do desenvolvimento econômico e territorial.
É nesse contexto que o NORA – Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas & Ativos de Infraestrutura marcará presença em Davos 2026, reforçando seu compromisso institucional com a análise qualificada de infraestrutura integrada, corredores logísticos, ativos estratégicos e articulação entre políticas públicas nacionais e dinâmicas internacionais. A participação do Observatório se insere em sua missão de acompanhar, interpretar e traduzir debates globais relevantes para o planejamento de longo prazo e para o aprimoramento institucional do setor de infraestrutura no Brasil.
Davos como espaço de coordenação estratégica em infraestrutura e logística
Diferentemente de fóruns estritamente técnicos ou setoriais, Davos se caracteriza por reunir diferentes perspectivas — governamentais, empresariais, financeiras e institucionais — em torno de desafios estruturais que transcendem fronteiras nacionais. Entre esses desafios, a organização da infraestrutura e da logística em escala regional e global tem assumido crescente centralidade.
As discussões previstas para Davos 2026 indicam a continuidade de um movimento observado nos últimos anos: a superação de visões fragmentadas sobre infraestrutura e a consolidação de abordagens integradas, que consideram rodovias, ferrovias, portos, hubs logísticos e conectividade territorial como partes interdependentes de sistemas complexos. Essa perspectiva dialoga diretamente com o campo analítico do NORA, que parte do entendimento de que gargalos logísticos e ineficiências territoriais são, em grande medida, resultado de falhas de coordenação institucional e de planejamento.
Em Davos, a infraestrutura deixa de ser tratada apenas como tema técnico e passa a ocupar posição estratégica nas discussões sobre competitividade, produtividade e inserção internacional dos países. A eficiência dos corredores logísticos, a previsibilidade regulatória e a capacidade de articulação entre diferentes níveis de governo aparecem como elementos determinantes para a atração de investimentos e para a reorganização das cadeias produtivas globais.
Infraestrutura integrada e desenvolvimento territorial
Outro eixo central das discussões do Fórum Econômico Mundial diz respeito à relação entre infraestrutura integrada e desenvolvimento territorial. Em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de valor, ganha relevância a capacidade dos territórios de se integrarem a fluxos regionais e internacionais de produção e circulação.
As agendas de Davos 2026 devem reforçar a importância de políticas públicas que promovam a integração entre regiões, reduzam assimetrias territoriais e ampliem a conectividade entre centros produtivos, zonas logísticas e mercados consumidores. Essa abordagem converge com os estudos desenvolvidos pelo NORA, que analisam a infraestrutura como vetor de organização do território e de indução ao desenvolvimento regional.
Nesse sentido, o debate internacional evidencia que investimentos isolados em ativos específicos tendem a gerar resultados limitados quando não inseridos em estratégias mais amplas de integração territorial. A infraestrutura integrada passa a ser compreendida como um instrumento de coordenação espacial, capaz de estruturar fluxos econômicos e fortalecer a coesão regional.
Articulação institucional e governança de ativos estratégicos
As perspectivas para Davos 2026 também apontam para um aprofundamento das discussões sobre governança e articulação institucional no campo da infraestrutura. A complexidade dos projetos de grande escala exige arranjos institucionais sofisticados, capazes de coordenar atores públicos e privados, alinhar interesses e garantir estabilidade ao longo do tempo.
Nesse contexto, temas como qualidade regulatória, previsibilidade normativa, coordenação intergovernamental e capacidade estatal de planejamento ganham destaque. O Fórum Econômico Mundial tem funcionado como espaço de circulação de experiências e modelos institucionais, permitindo que países comparem estratégias, identifiquem boas práticas e reflitam sobre seus próprios arranjos de governança.
Para o NORA, acompanhar essas discussões é fundamental para compreender como diferentes países estão enfrentando desafios semelhantes aos brasileiros, especialmente no que se refere à fragmentação institucional, à sobreposição de competências e à necessidade de integração entre políticas setoriais.
Davos e o alinhamento entre agendas nacionais e internacionais
Um dos aspectos mais relevantes do Fórum Econômico Mundial é sua capacidade de promover o alinhamento entre agendas nacionais e dinâmicas internacionais. Davos não é um espaço de formulação normativa formal, mas exerce forte influência na definição de prioridades, narrativas e estratégias que acabam sendo incorporadas aos processos decisórios domésticos.
A participação do NORA em Davos 2026 reflete a compreensão de que fóruns internacionais são espaços estratégicos de aprendizado institucional e de posicionamento. Ao acompanhar os debates globais sobre infraestrutura integrada e logística, o Observatório fortalece sua capacidade de contribuir para o debate público nacional, oferecendo análises comparadas e subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas.
Nesse sentido, Davos se apresenta como um ambiente privilegiado para observar como temas como corredores logísticos, integração regional e governança de ativos estratégicos vêm sendo tratados em diferentes contextos institucionais, permitindo ao NORA aprofundar sua atuação como centro de inteligência aplicada.
Considerações finais
A presença do NORA no Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 reafirma o papel da infraestrutura integrada e da logística como elementos centrais das transformações econômicas contemporâneas. O evento se consolida como espaço estratégico para a articulação de visões de longo prazo, para a troca de experiências institucionais e para o alinhamento entre políticas públicas nacionais e dinâmicas globais.
Ao marcar presença em Davos, o NORA fortalece sua missão de observar, analisar e traduzir debates internacionais relevantes para o desenvolvimento territorial e para a governança da infraestrutura no Brasil, reafirmando sua visão institucional:
infraestrutura como integração para o futuro.




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