Aviação brasileira em expansão: o balanço de 2025 e a nova rota dos leilões regionais


By Sérgio Garcia 27 de fevereiro de 2026

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a aviação civil brasileira. A agenda conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos consolidou um ciclo intenso de desestatizações, com a realização de 21 leilões aeroportuários ao longo do ano. O volume de projetos estruturados e contratados reposiciona o Brasil entre os mercados mais ativos do mundo em concessões aeroportuárias, ampliando a participação do capital privado na modernização da infraestrutura aérea.


Os leilões de 2025 resultaram na contratação de aproximadamente R$ 11 bilhões em investimentos, sinalizando confiança do mercado na estabilidade institucional e na atratividade econômica do setor. Esse movimento ocorre em um contexto global desafiador para a aviação civil, o que torna ainda mais relevante a capacidade do país de estruturar projetos financeiramente viáveis, com demanda consistente e horizonte regulatório previsível.


Mais do que números, o volume de leilões realizados em 2025 pavimentou o caminho para a consolidação da aviação regional como política pública estruturante. Ao ampliar a malha aérea e fortalecer aeroportos de menor porte, o modelo de concessões contribui para a integração territorial, a redução de desigualdades regionais e o fortalecimento de economias locais historicamente afastadas dos grandes fluxos logísticos e turísticos.


Nesse cenário, o foco anunciado para o Nordeste em 2026 merece atenção especial. Está previsto um aporte superior a R$ 424,2 milhões em infraestrutura aeroportuária na região, direcionado à modernização de terminais, pistas e sistemas operacionais. Trata-se de um investimento com forte potencial de indução ao desenvolvimento regional, ao ampliar a conectividade aérea em áreas antes negligenciadas e ao fortalecer cadeias produtivas ligadas ao turismo, aos serviços e à economia local.


Os objetivos estratégicos desses aportes vão além da ampliação da capacidade física. A melhoria da conectividade aérea reduz gargalos logísticos, encurta distâncias econômicas e aumenta a atratividade de regiões periféricas aos grandes centros. Em um país de dimensões continentais, a aviação regional cumpre papel central na coesão territorial e na integração dos mercados internos.


A 2ª rodada de leilões regionais representa um novo passo nessa estratégia. O governo optou por leiloar 20 terminais sem restringir o desenho dos blocos a um critério estritamente regional, buscando atrair operadores com perfis diversificados e diferentes estratégias de negócios. A ampliação do escopo pretende aumentar a competitividade dos certames e estimular maior interesse do mercado, inclusive com expectativa de ágios mais elevados.


Esse novo modelo reflete uma leitura mais madura do setor. A diversificação de operadores e a combinação de aeroportos com diferentes perfis de demanda permitem ganhos de escala, eficiência operacional e melhor alocação de riscos. A desestatização de aeroportos menores, por sua vez, alivia o orçamento público e assegura investimentos contínuos em manutenção, tecnologia e qualidade dos serviços prestados aos usuários.


Apesar dos avanços, persistem desafios relevantes para a sustentabilidade do setor. Um deles diz respeito à capacidade de execução dos investimentos anunciados. A conversão dos R$ 11 bilhões contratados em obras efetivas, dentro dos prazos previstos, será determinante para a credibilidade do modelo e para a manutenção do apetite do mercado nas próximas rodadas de concessão.


Outro ponto central é a segurança jurídica e regulatória. O papel da Agência Nacional de Aviação Civil e do Ministério é decisivo para assegurar contratos estáveis e mecanismos adequados de reequilíbrio econômico-financeiro, especialmente diante das oscilações próprias do mercado de aviação civil. A previsibilidade regulatória é condição essencial para a sustentabilidade de investimentos de longo prazo.


A intermodalidade também se impõe como desafio estratégico. A eficiência da aviação regional depende da conexão dos aeroportos com redes de transporte terrestre, como rodovias e sistemas urbanos de mobilidade. Sem essa integração, parte dos ganhos logísticos proporcionados pela ampliação da malha aérea tende a se dissipar.


O balanço de 2025 revela um ano de recordes e consolidação institucional. No entanto, o sucesso de 2026 dependerá da capacidade de entregar os novos terminais regionais com qualidade, eficiência e integração logística. O Brasil se afirma como um dos maiores mercados globais de concessão aeroportuária, o que exige vigilância técnica contínua sobre a execução dos contratos e a qualidade dos serviços oferecidos à sociedade.

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Por Fernanda Oppermann 19 de fevereiro de 2026
O desempenho recente da infraestrutura portuária brasileira sinaliza um momento de inflexão relevante para a logística nacional. Em 2025, o Porto de Santos atingiu a marca histórica de 186,4 milhões de toneladas movimentadas, consolidando-se como o principal hub logístico do país e um dos mais relevantes do hemisfério sul. O resultado reflete a resiliência das exportações brasileiras, especialmente do agronegócio, ao mesmo tempo em que evidencia a crescente pressão sobre a infraestrutura logística existente. O recorde de Santos não é apenas um dado operacional, mas um indicador estrutural. O aumento consistente da movimentação portuária demonstra a capacidade do Brasil de responder à demanda global por commodities e produtos industrializados, mesmo em um cenário internacional volátil. Por outro lado, esse desempenho impõe desafios crescentes aos sistemas de acesso terrestre, à capacidade de armazenagem, à dragagem e à coordenação entre modais, sob pena de transformar eficiência portuária em gargalo logístico sistêmico. Nesse contexto, ganha relevância a conexão entre o desempenho portuário e os investimentos federais em infraestrutura hidroviária. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos aportou aproximadamente R$ 529,8 milhões em ações voltadas ao fortalecimento das hidrovias brasileiras. O investimento sinaliza uma estratégia de diversificação logística, essencial para sustentar o crescimento das exportações e reduzir a dependência excessiva de corredores rodoviários e ferroviários já saturados. A análise da movimentação no Porto de Santos revela crescimento contínuo em relação aos anos anteriores, impulsionado principalmente pelas cargas de soja, açúcar e milho, além da expansão consistente da movimentação de contêineres. Esse perfil confirma a centralidade do porto tanto para o agronegócio quanto para cadeias industriais mais complexas, que dependem de previsibilidade, escala e eficiência logística para competir internacionalmente. O recorde, contudo, impõe desafios imediatos. A manutenção da fluidez operacional exige investimentos contínuos em acessos ferroviários e rodoviários, além de políticas permanentes de dragagem para garantir calado compatível com navios de maior porte. A ausência dessas melhorias tende a deslocar gargalos para fora do cais, comprometendo ganhos obtidos no ambiente portuário. Paralelamente, o balanço dos investimentos em hidrovias em 2025 evidencia uma agenda estratégica de médio e longo prazo. Os recursos foram direcionados principalmente à sinalização, dragagem e manutenção de vias navegáveis em diferentes regiões do país, reforçando a navegabilidade e a segurança operacional. Trata-se de um passo relevante para transformar o potencial hídrico brasileiro em ativo logístico efetivo. As hidrovias oferecem vantagens competitivas claras. Além de reduzir custos de transporte por tonelada, contribuem para a diminuição das emissões de CO₂, ampliando a sustentabilidade da matriz logística nacional. Para cargas de grande volume e baixo valor agregado, como grãos e minérios, o modal hidroviário é decisivo para a redução do chamado Custo Brasil e para o aumento da competitividade internacional. A integração multimodal desponta, assim, como o caminho necessário para 2026 e os anos seguintes. O fortalecimento das hidrovias contribui diretamente para evitar a saturação do Porto de Santos e de outros terminais marítimos, ao redistribuir fluxos de carga e ampliar alternativas de escoamento. Essa sinergia entre portos, hidrovias, ferrovias e rodovias é condição essencial para sustentar novos recordes sem comprometer a eficiência sistêmica. Persistem, contudo, gargalos relevantes. Demandas por dragagem de aprofundamento, expansão de terminais e modernização de acessos terrestres seguem no centro da agenda logística. A superação desses entraves depende não apenas de recursos financeiros, mas de segurança jurídica e previsibilidade regulatória, fatores determinantes para a atração de capital privado em futuras concessões e parcerias.  O recorde do Porto de Santos em 2025 é, sem dúvida, uma vitória para a logística brasileira. No entanto, ele exige vigilância constante sobre a capacidade instalada e a coordenação entre modais. Os R$ 529 milhões investidos em hidrovias representam um passo inicial importante, mas o desafio estrutural permanece: transformar ganhos pontuais em uma rede logística integrada, resiliente e de padrão global.
Por Fernanda Oppermann 17 de fevereiro de 2026
A Caravana “Na Boleia do Brasil” encerrou recentemente seu ciclo de vistorias técnicas e agendas institucionais, colocando a infraestrutura de transportes no centro do debate público. A iniciativa percorreu corredores estratégicos do país com o objetivo declarado de dar maior transparência aos investimentos previstos nos contratos de concessão, aproximando poder público, operadores e sociedade civil da realidade concreta das obras em execução. Do ponto de vista da política de infraestrutura, a caravana se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento da fiscalização e do acompanhamento in loco de ativos logísticos críticos. A exposição pública das intervenções permite avaliar não apenas o andamento físico das obras, mas também a aderência entre o que foi contratado, o que está sendo executado e os impactos efetivos sobre a fluidez logística, a segurança viária e a redução de custos sistêmicos. No eixo Sudeste, a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) assumiu papel central nas análises. Trata-se de um dos mais relevantes corredores logísticos do país, conectando os dois principais polos econômicos nacionais, São Paulo e Rio de Janeiro. As vistorias técnicas realizadas ao longo da Dutra permitiram observar intervenções como ampliação de faixas, implantação de passarelas, melhorias em iluminação e requalificação de dispositivos de acesso, medidas que impactam diretamente o fluxo de cargas e a mobilidade urbana ao longo do corredor. A análise dos gargalos evidenciou que melhorias aparentemente pontuais produzem efeitos logísticos relevantes quando inseridas em corredores de alta densidade de tráfego. A ampliação da capacidade viária e a redução de conflitos entre tráfego local e de longa distância contribuem para diminuir tempos de deslocamento, aumentar a previsibilidade das entregas e reduzir perdas associadas a congestionamentos e acidentes. Nesse sentido, segurança viária e eficiência logística revelam-se dimensões indissociáveis do enfrentamento do chamado Custo Brasil. A caravana também lançou luz sobre a importância da expansão ferroviária e da intermodalidade como estratégia estrutural de longo prazo. As vistorias em obras ferroviárias, especialmente em trechos que destravam o acesso a portos e plataformas logísticas, reforçam o papel do modal ferroviário na redução de custos de transporte de grandes volumes, como grãos e minérios. A integração entre rodovias, ferrovias e portos é condição essencial para o equilíbrio da matriz de transportes e para o aumento da competitividade do país. O avanço da participação ferroviária no transporte de cargas representa não apenas ganho de eficiência econômica, mas também benefícios ambientais e operacionais, ao reduzir a pressão sobre corredores rodoviários saturados. A observação direta dessas obras permite avaliar se o discurso da intermodalidade está, de fato, sendo convertido em investimentos coordenados e entregas concretas. Com o encerramento da Caravana “Na Boleia do Brasil”, o principal desafio passa a ser a tradução das agendas públicas em resultados verificáveis. A iniciativa deixa como legado um conjunto de informações, compromissos e expectativas que precisam ser incorporados ao planejamento contínuo da infraestrutura nacional. A efetividade desse processo dependerá da capacidade de monitorar prazos, metas e entregas pactuadas nos contratos de concessão.  Nesse contexto, o papel do observatório torna-se ainda mais relevante. O acompanhamento sistemático do cumprimento dos cronogramas regulatórios e contratuais, em articulação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, é fundamental para verificar se as promessas anunciadas durante a caravana se materializarão dentro dos prazos previstos. Transparência, monitoramento e análise técnica contínua são os elementos que permitirão transformar a visibilidade momentânea da caravana em ganhos estruturais duradouros para a logística nacional.
Por Fernanda Oppermann 12 de fevereiro de 2026
O debate climático no Brasil atravessa uma inflexão relevante. Após décadas marcadas por compromissos internacionais, planos setoriais fragmentados e forte dependência de retórica ambiental, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de alinhar o crescimento econômico nacional às metas assumidas no âmbito do Acordo de Paris, sem ignorar os impactos sociais e produtivos dessa transformação. A transição para uma economia de baixo carbono não é apenas um desafio ambiental, mas um problema estrutural de desenvolvimento, planejamento e governança. É nesse contexto que se insere o Projeto de Lei nº 6615/2025, de autoria do Deputado Nilto Tatto (PT/SP). A proposta parte do reconhecimento de que a chamada “Transição Justa” exige mais do que diretrizes genéricas. Ela demanda instrumentos institucionais claros, planejamento de longo prazo e, sobretudo, mecanismos financeiros capazes de sustentar a transformação econômica sem aprofundar desigualdades regionais, setoriais e sociais. O conceito de Transição Justa refere-se à necessidade de compatibilizar a descarbonização da economia com a proteção do emprego, da renda e das comunidades impactadas por mudanças estruturais nos setores produtivos. Para um país como o Brasil, marcado por elevada heterogeneidade regional e forte dependência de atividades intensivas em recursos naturais, a ausência de um mapa institucionalizado de transição representa risco concreto de desorganização produtiva, exclusão social e perda de competitividade. O PL 6615/2025 propõe a criação do chamado “Mapa do Caminho Brasileiro”, concebido como uma ferramenta de planejamento estratégico de longo prazo. Esse mapa passa a integrar formalmente a Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei nº 12.187/2009, funcionando como um braço operacional voltado à coordenação de metas, ações e investimentos relacionados à transição climática. Trata-se de um movimento relevante de articulação entre política climática e política econômica. Entre os pilares estruturantes do Mapa do Caminho estão a promoção de uma economia de baixo carbono, o compromisso com o desmatamento zero e a centralidade da inclusão social no processo de transformação produtiva. Esses eixos refletem a compreensão de que a transição climática não pode ser tratada de forma setorial ou isolada, mas como uma agenda transversal que afeta infraestrutura, indústria, energia, agricultura e políticas sociais. Um dos aspectos mais relevantes do projeto é sua dimensão financeira. O PL 6615/2025 não se limita a estabelecer diretrizes programáticas, mas promove alterações em marcos legais fundamentais para garantir fontes estáveis de financiamento à transição justa. A proposta reconhece que a reestruturação produtiva impõe custos de curto e médio prazo a determinados setores e territórios, exigindo instrumentos de redistribuição capazes de mitigar impactos sociais adversos. Nesse sentido, o fortalecimento do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, instituído pela Lei nº 12.114/2009, assume papel central como motor de fomento a projetos sustentáveis, inovação tecnológica e adaptação climática. Paralelamente, o projeto inova ao vincular recursos do Fundo Social, previsto na Lei nº 12.351/2010, oriundos da exploração do pré-sal e de recursos naturais, ao financiamento da transição energética e à proteção ambiental. Essa vinculação explicita a lógica de converter riqueza natural em base financeira para um novo modelo de desenvolvimento. O projeto também enfatiza mecanismos de governança e transparência, prevendo instrumentos de monitoramento, avaliação de resultados e acompanhamento do cumprimento de metas. A mensuração de impactos e a prestação de contas tornam-se elementos estruturantes da política, reduzindo o risco de dispersão de recursos e de esvaziamento institucional das diretrizes estabelecidas. Sob essa perspectiva, o PL 6615/2025 representa um avanço qualitativo no debate climático no Congresso Nacional. A proposta sinaliza maturidade ao deslocar o eixo da discussão da retórica ambiental para a institucionalização estratégica e financeira da transição justa. Ao estruturar planejamento, governança e financiamento, o Mapa do Caminho busca assegurar que o Brasil não se limite ao papel de exportador de commodities verdes, mas consolide uma economia moderna, resiliente e socialmente equilibrada, capaz de combinar competitividade, sustentabilidade e inclusão.
Por Fernanda Oppermann 9 de fevereiro de 2026
A infraestrutura rodoviária da Região Norte do Brasil ocupa um lugar singular no debate nacional sobre logística, integração territorial e presença do Estado. Diferentemente de outras regiões, onde a malha rodoviária opera como complemento a sistemas ferroviários, hidroviários ou portuários consolidados, no Norte as rodovias federais assumem caráter estrutural. São elas que sustentam o abastecimento, o escoamento produtivo, a mobilidade da população e a própria coesão territorial em áreas marcadas por grandes distâncias, baixa densidade populacional e condições ambientais extremas. Rodovias como a BR-174, a BR-319 e a BR-163 ilustram de forma clara essa vulnerabilidade histórica. Interdições recorrentes, colapsos sazonais, degradação acelerada do pavimento e insegurança viária produzem efeitos econômicos diretos, frequentemente sintetizados no chamado “Custo Amazônia”. Esse custo não decorre apenas da distância geográfica, mas da imprevisibilidade logística, que encarece cadeias produtivas, desestimula investimentos e fragiliza a integração econômica da região ao restante do país e aos mercados internacionais. É nesse contexto que se insere o Projeto de Lei nº 7058/2025, de autoria do Deputado Duda Ramos (MDB/RR). O projeto “institui a Lei Nacional de Confiabilidade Logística em Rodovias Federais Estratégicas da Região Norte, estabelece princípios, metas, instrumentos de gestão por desempenho, transparência e governança para assegurar trafegabilidade contínua, segurança viária e previsibilidade logística, e dá outras providências”. A proposta parte do reconhecimento de que a lógica tradicional de gestão rodoviária, centrada na manutenção reativa, é insuficiente para responder às especificidades amazônicas. O PL 7058/2025 propõe um novo paradigma de gestão da infraestrutura rodoviária federal na Região Norte. Entre seus pilares estão a garantia de trafegabilidade contínua, a definição de metas objetivas de desempenho, a adoção de indicadores mensuráveis e a estruturação de mecanismos de governança e transparência. O foco deixa de ser apenas a resposta a eventos críticos e passa a ser a previsibilidade logística como política pública permanente, reduzindo riscos operacionais e custos sistêmicos. A exigência de um marco legal específico para a Região Norte decorre de fatores climáticos, geográficos e logísticos singulares. Regimes intensos de chuvas, solos sensíveis, áreas de difícil acesso e longos corredores rodoviários com baixa redundância tornam ineficaz a simples replicação de modelos adotados em outras regiões do país. A confiabilidade logística, nesse cenário, não é apenas uma meta operacional, mas uma condição para o desenvolvimento econômico, a segurança nacional e a efetiva presença do Estado na Amazônia Setentrional. Nesse debate, o papel do Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas e Ativos de Infraestrutura (NORA) torna-se central. O NORA atua na observação contínua de ativos críticos de infraestrutura, no monitoramento de pontos de vulnerabilidade, na análise de sazonalidade e na identificação de riscos operacionais e institucionais associados a corredores logísticos estratégicos. Esse suporte técnico qualificado contribui para uma compreensão mais precisa da conjuntura da infraestrutura rodoviária no Norte do país, subsidiando decisões públicas baseadas em evidência e inteligência territorial. A confiabilidade logística da BR-174, por exemplo, é vital para o escoamento de Roraima e para sua conexão com mercados internacionais, especialmente via Caribe. Mais do que um eixo econômico, trata-se de um vetor geopolítico, que reforça a integração regional e a presença estatal em uma das áreas mais sensíveis do território nacional. As rodovias estratégicas da Região Norte cumprem, assim, função que transcende a logística: são instrumentos de soberania, coesão territorial e indução ao desenvolvimento. Ao criar um marco legal voltado à confiabilidade logística, o PL 7058/2025 sinaliza segurança jurídica, previsibilidade regulatória e compromisso institucional com a infraestrutura amazônica. Esses elementos são decisivos para a atração de investimentos públicos e privados, sobretudo em contextos de concessões, contratos de longo prazo e parcerias estruturantes. Nesse sentido, o PL 7058/2025 oferece o arcabouço normativo, enquanto o NORA contribui com a inteligência aplicada à observação e ao monitoramento dos ativos. A integração entre debate legislativo, instrumentos de governança e sistemas de observação é condição essencial para que a lei não se limite a um comando formal, mas se traduza em resultados concretos nas estradas da Região Norte, promovendo desenvolvimento, segurança e integração nacional.

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Por Fernanda Oppermann 17 de fevereiro de 2026
A Caravana “Na Boleia do Brasil” encerrou recentemente seu ciclo de vistorias técnicas e agendas institucionais, colocando a infraestrutura de transportes no centro do debate público. A iniciativa percorreu corredores estratégicos do país com o objetivo declarado de dar maior transparência aos investimentos previstos nos contratos de concessão, aproximando poder público, operadores e sociedade civil da realidade concreta das obras em execução. Do ponto de vista da política de infraestrutura, a caravana se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento da fiscalização e do acompanhamento in loco de ativos logísticos críticos. A exposição pública das intervenções permite avaliar não apenas o andamento físico das obras, mas também a aderência entre o que foi contratado, o que está sendo executado e os impactos efetivos sobre a fluidez logística, a segurança viária e a redução de custos sistêmicos. No eixo Sudeste, a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) assumiu papel central nas análises. Trata-se de um dos mais relevantes corredores logísticos do país, conectando os dois principais polos econômicos nacionais, São Paulo e Rio de Janeiro. As vistorias técnicas realizadas ao longo da Dutra permitiram observar intervenções como ampliação de faixas, implantação de passarelas, melhorias em iluminação e requalificação de dispositivos de acesso, medidas que impactam diretamente o fluxo de cargas e a mobilidade urbana ao longo do corredor. A análise dos gargalos evidenciou que melhorias aparentemente pontuais produzem efeitos logísticos relevantes quando inseridas em corredores de alta densidade de tráfego. A ampliação da capacidade viária e a redução de conflitos entre tráfego local e de longa distância contribuem para diminuir tempos de deslocamento, aumentar a previsibilidade das entregas e reduzir perdas associadas a congestionamentos e acidentes. Nesse sentido, segurança viária e eficiência logística revelam-se dimensões indissociáveis do enfrentamento do chamado Custo Brasil. A caravana também lançou luz sobre a importância da expansão ferroviária e da intermodalidade como estratégia estrutural de longo prazo. As vistorias em obras ferroviárias, especialmente em trechos que destravam o acesso a portos e plataformas logísticas, reforçam o papel do modal ferroviário na redução de custos de transporte de grandes volumes, como grãos e minérios. A integração entre rodovias, ferrovias e portos é condição essencial para o equilíbrio da matriz de transportes e para o aumento da competitividade do país. O avanço da participação ferroviária no transporte de cargas representa não apenas ganho de eficiência econômica, mas também benefícios ambientais e operacionais, ao reduzir a pressão sobre corredores rodoviários saturados. A observação direta dessas obras permite avaliar se o discurso da intermodalidade está, de fato, sendo convertido em investimentos coordenados e entregas concretas. Com o encerramento da Caravana “Na Boleia do Brasil”, o principal desafio passa a ser a tradução das agendas públicas em resultados verificáveis. A iniciativa deixa como legado um conjunto de informações, compromissos e expectativas que precisam ser incorporados ao planejamento contínuo da infraestrutura nacional. A efetividade desse processo dependerá da capacidade de monitorar prazos, metas e entregas pactuadas nos contratos de concessão.  Nesse contexto, o papel do observatório torna-se ainda mais relevante. O acompanhamento sistemático do cumprimento dos cronogramas regulatórios e contratuais, em articulação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, é fundamental para verificar se as promessas anunciadas durante a caravana se materializarão dentro dos prazos previstos. Transparência, monitoramento e análise técnica contínua são os elementos que permitirão transformar a visibilidade momentânea da caravana em ganhos estruturais duradouros para a logística nacional.
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O debate climático no Brasil atravessa uma inflexão relevante. Após décadas marcadas por compromissos internacionais, planos setoriais fragmentados e forte dependência de retórica ambiental, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de alinhar o crescimento econômico nacional às metas assumidas no âmbito do Acordo de Paris, sem ignorar os impactos sociais e produtivos dessa transformação. A transição para uma economia de baixo carbono não é apenas um desafio ambiental, mas um problema estrutural de desenvolvimento, planejamento e governança. É nesse contexto que se insere o Projeto de Lei nº 6615/2025, de autoria do Deputado Nilto Tatto (PT/SP). A proposta parte do reconhecimento de que a chamada “Transição Justa” exige mais do que diretrizes genéricas. Ela demanda instrumentos institucionais claros, planejamento de longo prazo e, sobretudo, mecanismos financeiros capazes de sustentar a transformação econômica sem aprofundar desigualdades regionais, setoriais e sociais. O conceito de Transição Justa refere-se à necessidade de compatibilizar a descarbonização da economia com a proteção do emprego, da renda e das comunidades impactadas por mudanças estruturais nos setores produtivos. Para um país como o Brasil, marcado por elevada heterogeneidade regional e forte dependência de atividades intensivas em recursos naturais, a ausência de um mapa institucionalizado de transição representa risco concreto de desorganização produtiva, exclusão social e perda de competitividade. O PL 6615/2025 propõe a criação do chamado “Mapa do Caminho Brasileiro”, concebido como uma ferramenta de planejamento estratégico de longo prazo. Esse mapa passa a integrar formalmente a Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei nº 12.187/2009, funcionando como um braço operacional voltado à coordenação de metas, ações e investimentos relacionados à transição climática. Trata-se de um movimento relevante de articulação entre política climática e política econômica. Entre os pilares estruturantes do Mapa do Caminho estão a promoção de uma economia de baixo carbono, o compromisso com o desmatamento zero e a centralidade da inclusão social no processo de transformação produtiva. Esses eixos refletem a compreensão de que a transição climática não pode ser tratada de forma setorial ou isolada, mas como uma agenda transversal que afeta infraestrutura, indústria, energia, agricultura e políticas sociais. Um dos aspectos mais relevantes do projeto é sua dimensão financeira. O PL 6615/2025 não se limita a estabelecer diretrizes programáticas, mas promove alterações em marcos legais fundamentais para garantir fontes estáveis de financiamento à transição justa. A proposta reconhece que a reestruturação produtiva impõe custos de curto e médio prazo a determinados setores e territórios, exigindo instrumentos de redistribuição capazes de mitigar impactos sociais adversos. Nesse sentido, o fortalecimento do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, instituído pela Lei nº 12.114/2009, assume papel central como motor de fomento a projetos sustentáveis, inovação tecnológica e adaptação climática. Paralelamente, o projeto inova ao vincular recursos do Fundo Social, previsto na Lei nº 12.351/2010, oriundos da exploração do pré-sal e de recursos naturais, ao financiamento da transição energética e à proteção ambiental. Essa vinculação explicita a lógica de converter riqueza natural em base financeira para um novo modelo de desenvolvimento. O projeto também enfatiza mecanismos de governança e transparência, prevendo instrumentos de monitoramento, avaliação de resultados e acompanhamento do cumprimento de metas. A mensuração de impactos e a prestação de contas tornam-se elementos estruturantes da política, reduzindo o risco de dispersão de recursos e de esvaziamento institucional das diretrizes estabelecidas. Sob essa perspectiva, o PL 6615/2025 representa um avanço qualitativo no debate climático no Congresso Nacional. A proposta sinaliza maturidade ao deslocar o eixo da discussão da retórica ambiental para a institucionalização estratégica e financeira da transição justa. Ao estruturar planejamento, governança e financiamento, o Mapa do Caminho busca assegurar que o Brasil não se limite ao papel de exportador de commodities verdes, mas consolide uma economia moderna, resiliente e socialmente equilibrada, capaz de combinar competitividade, sustentabilidade e inclusão.
Por Fernanda Oppermann 9 de fevereiro de 2026
A infraestrutura rodoviária da Região Norte do Brasil ocupa um lugar singular no debate nacional sobre logística, integração territorial e presença do Estado. Diferentemente de outras regiões, onde a malha rodoviária opera como complemento a sistemas ferroviários, hidroviários ou portuários consolidados, no Norte as rodovias federais assumem caráter estrutural. São elas que sustentam o abastecimento, o escoamento produtivo, a mobilidade da população e a própria coesão territorial em áreas marcadas por grandes distâncias, baixa densidade populacional e condições ambientais extremas. Rodovias como a BR-174, a BR-319 e a BR-163 ilustram de forma clara essa vulnerabilidade histórica. Interdições recorrentes, colapsos sazonais, degradação acelerada do pavimento e insegurança viária produzem efeitos econômicos diretos, frequentemente sintetizados no chamado “Custo Amazônia”. Esse custo não decorre apenas da distância geográfica, mas da imprevisibilidade logística, que encarece cadeias produtivas, desestimula investimentos e fragiliza a integração econômica da região ao restante do país e aos mercados internacionais. É nesse contexto que se insere o Projeto de Lei nº 7058/2025, de autoria do Deputado Duda Ramos (MDB/RR). O projeto “institui a Lei Nacional de Confiabilidade Logística em Rodovias Federais Estratégicas da Região Norte, estabelece princípios, metas, instrumentos de gestão por desempenho, transparência e governança para assegurar trafegabilidade contínua, segurança viária e previsibilidade logística, e dá outras providências”. A proposta parte do reconhecimento de que a lógica tradicional de gestão rodoviária, centrada na manutenção reativa, é insuficiente para responder às especificidades amazônicas. O PL 7058/2025 propõe um novo paradigma de gestão da infraestrutura rodoviária federal na Região Norte. Entre seus pilares estão a garantia de trafegabilidade contínua, a definição de metas objetivas de desempenho, a adoção de indicadores mensuráveis e a estruturação de mecanismos de governança e transparência. O foco deixa de ser apenas a resposta a eventos críticos e passa a ser a previsibilidade logística como política pública permanente, reduzindo riscos operacionais e custos sistêmicos. A exigência de um marco legal específico para a Região Norte decorre de fatores climáticos, geográficos e logísticos singulares. Regimes intensos de chuvas, solos sensíveis, áreas de difícil acesso e longos corredores rodoviários com baixa redundância tornam ineficaz a simples replicação de modelos adotados em outras regiões do país. A confiabilidade logística, nesse cenário, não é apenas uma meta operacional, mas uma condição para o desenvolvimento econômico, a segurança nacional e a efetiva presença do Estado na Amazônia Setentrional. Nesse debate, o papel do Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas e Ativos de Infraestrutura (NORA) torna-se central. O NORA atua na observação contínua de ativos críticos de infraestrutura, no monitoramento de pontos de vulnerabilidade, na análise de sazonalidade e na identificação de riscos operacionais e institucionais associados a corredores logísticos estratégicos. Esse suporte técnico qualificado contribui para uma compreensão mais precisa da conjuntura da infraestrutura rodoviária no Norte do país, subsidiando decisões públicas baseadas em evidência e inteligência territorial. A confiabilidade logística da BR-174, por exemplo, é vital para o escoamento de Roraima e para sua conexão com mercados internacionais, especialmente via Caribe. Mais do que um eixo econômico, trata-se de um vetor geopolítico, que reforça a integração regional e a presença estatal em uma das áreas mais sensíveis do território nacional. As rodovias estratégicas da Região Norte cumprem, assim, função que transcende a logística: são instrumentos de soberania, coesão territorial e indução ao desenvolvimento. Ao criar um marco legal voltado à confiabilidade logística, o PL 7058/2025 sinaliza segurança jurídica, previsibilidade regulatória e compromisso institucional com a infraestrutura amazônica. Esses elementos são decisivos para a atração de investimentos públicos e privados, sobretudo em contextos de concessões, contratos de longo prazo e parcerias estruturantes. Nesse sentido, o PL 7058/2025 oferece o arcabouço normativo, enquanto o NORA contribui com a inteligência aplicada à observação e ao monitoramento dos ativos. A integração entre debate legislativo, instrumentos de governança e sistemas de observação é condição essencial para que a lei não se limite a um comando formal, mas se traduza em resultados concretos nas estradas da Região Norte, promovendo desenvolvimento, segurança e integração nacional.
Por Fernanda Oppermann 4 de fevereiro de 2026
O ano de 2026 se apresenta como um período decisivo para a agenda de infraestrutura e logística no Brasil. A combinação entre um pipeline robusto de concessões, debates legislativos estruturantes e mudanças relevantes no arranjo institucional do setor coloca a infraestrutura no centro das discussões sobre integração territorial, competitividade e coordenação do Estado. Nesse contexto, o NORA – Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas & Ativos de Infraestrutura estrutura sua atuação a partir de uma leitura sistêmica da infraestrutura, compreendida como vetor de organização dos fluxos econômicos e do território nacional. As perspectivas do NORA para 2026 partem de uma premissa central: o país atravessa um ciclo decisório denso, no qual escolhas regulatórias, legislativas e contratuais produzirão efeitos duradouros sobre a logística, a integração regional e a capacidade de planejamento de longo prazo. Por isso, o Observatório direciona sua atuação à análise integrada de rodovias, ferrovias, portos, logística e governança institucional, sem perder de vista o contexto concreto de formulação e aplicação dessas políticas públicas no Brasil. O ciclo de concessões e o desafio da coordenação sistêmica Levantamentos já disponíveis indicam que 2026 será marcado por um volume expressivo de certames no setor de infraestrutura. Estão previstos mais de cinquenta leilões ao longo do ano, abrangendo concessões rodoviárias, ferroviárias e portuárias, com investimentos estimados da ordem de centenas de bilhões de reais. Trata-se de um movimento relevante, mas que se desenvolve em um ambiente macroeconômico desafiador, com taxa de juros ainda elevada e maior seletividade por parte dos investidores. Ao mesmo tempo, alterações normativas recentes, como a flexibilização de exigências no licenciamento ambiental para determinados tipos de obras, tendem a impactar a estruturação de projetos, os cronogramas e os modelos contratuais adotados. Esse cenário reforça a importância da coordenação entre planejamento, regulação e execução, evitando que o volume de investimentos resulte em soluções fragmentadas ou pouco integradas do ponto de vista territorial. Para o NORA, o ciclo de concessões de 2026 deve ser analisado não apenas pelo número de projetos ou pelo montante financeiro envolvido, mas sobretudo pela sua capacidade de estruturar corredores logísticos, integrar regiões produtivas e reduzir gargalos históricos de circulação . A infraestrutura, nesse sentido, não pode ser compreendida como um conjunto de ativos isolados, mas como um sistema interdependente. Rodovias, ferrovias e portos como sistemas interligados As concessões rodoviárias previstas para 2026 evidenciam a centralidade das rodovias na malha logística brasileira, com milhares de quilômetros incluídos em novos contratos ou processos de otimização. No entanto, a experiência acumulada demonstra que rodovias, quando tratadas de forma isolada, tendem a reproduzir assimetrias regionais e limitações logísticas. Nesse contexto, as concessões ferroviárias previstas para o período assumem papel estratégico na reorganização dos fluxos de carga em médias e longas distâncias. A articulação entre rodovias e ferrovias é condição necessária para ampliar a eficiência logística, reduzir custos de transporte e promover maior racionalidade na ocupação do território. O mesmo raciocínio se aplica ao setor portuário. O elevado número de leilões portuários previstos para 2026 reforça o papel dos portos como nós centrais da integração territorial e da inserção internacional do país. A leitura integrada entre portos, acessos terrestres, hinterlândias e corredores logísticos é essencial para evitar gargalos operacionais e sobreposições de investimentos. O NORA acompanha esse conjunto de concessões a partir de uma abordagem sistêmica, observando como decisões setoriais impactam a organização dos corredores logísticos nacionais e a integração entre regiões. A agenda legislativa e a reorganização institucional do setor portuário Além do ciclo de investimentos, 2026 será marcado por debates legislativos estruturantes para a infraestrutura logística brasileira. Nesse contexto, destaca-se a tramitação do Projeto de Lei nº 733/2025 , que dispõe sobre o Sistema Portuário Brasileiro, regula a exploração dos portos, as atividades de operação portuária e o trabalho portuário, atualmente em análise por Comissão Especial na Câmara dos Deputados. Trata-se de uma iniciativa com potencial de reorganizar de forma abrangente o marco institucional do setor portuário, com impactos diretos sobre a logística nacional, a integração entre modais e a articulação entre portos e seus corredores terrestres de acesso. A discussão do PL nº 733/2025 insere-se em um debate mais amplo sobre governança, coordenação institucional e eficiência sistêmica do sistema portuário brasileiro. O NORA acompanhará essa agenda legislativa de forma técnica e analítica, avaliando os efeitos institucionais e regulatórios das propostas em discussão, bem como seus reflexos sobre a organização dos fluxos logísticos e do território. Transporte aéreo e espaços institucionais especializados Outro ponto relevante da agenda legislativa de 2026 é a possibilidade de estruturação de uma comissão especializada dedicada à discussão do transporte aéreo no âmbito do Poder Legislativo. A criação ou o fortalecimento de um espaço institucional próprio para esse debate pode contribuir para maior racionalidade normativa, coordenação regulatória e qualificação das políticas públicas em um setor estratégico para a integração territorial e a logística de passageiros e cargas. Para o NORA, a consolidação de arenas legislativas especializadas é um elemento central para o aprimoramento da governança pública e para a construção de soluções institucionais mais coerentes e integradas. Governança regulatória e mudanças institucionais O ano de 2026 também será marcado por mudanças relevantes nas diretorias de agências reguladoras, com a previsão de diversas indicações a serem submetidas à apreciação do Senado Federal. Esse movimento reforça a importância do debate sobre governança regulatória, estabilidade institucional e qualidade das decisões administrativas. O NORA acompanha esse processo com foco nos impactos potenciais sobre a regulação da infraestrutura e da logística, especialmente no que se refere à previsibilidade normativa, à segurança jurídica dos contratos e à coordenação entre políticas setoriais. A atuação do NORA ao longo de 2026 Diante desse cenário, o NORA estrutura sua atuação em 2026 a partir de três eixos principais: (i) acompanhamento técnico de projetos estruturantes de infraestrutura e logística; (ii) análise legislativa e institucional, com foco em marcos legais, comissões especializadas e governança regulatória; (iii) observação de fóruns estratégicos, nacionais e internacionais, com presença já confirmada no Fórum Econômico Mundial de Davos. O objetivo do Observatório não é apenas acompanhar eventos ou projetos isolados, mas produzir inteligência aplicada, capaz de conectar decisões institucionais, investimentos e impactos territoriais. Ao manter o Brasil como eixo central de análise, o NORA reafirma seu compromisso com o estudo e a aplicação concreta das políticas públicas de infraestrutura. O diferencial do NORA reside em seu olhar analítico comparado, que dialoga de forma sistemática com experiências internacionais relevantes, não como referência abstrata, mas como insumo metodológico para avaliar arranjos institucionais, modelos de governança e escolhas regulatórias adotadas em diferentes contextos. A observação de práticas estrangeiras permite identificar padrões, soluções e limites, contribuindo para uma leitura mais precisa dos desafios brasileiros e para a construção de diagnósticos tecnicamente qualificados. Esse diálogo internacional confere ao NORA um posicionamento inovador no debate nacional, ao articular comparações entre políticas públicas externas e a realidade institucional brasileira, sempre com foco na adaptação e na aplicabilidade concreta. Mais do que importar modelos, o Observatório busca compreender como determinadas escolhas institucionais produzem resultados distintos e de que forma essas experiências podem orientar caminhos mais assertivos e eficientes para a infraestrutura e a logística no Brasil. Ao integrar análise comparada, acompanhamento legislativo, leitura territorial e observação institucional, o NORA consolida-se como um espaço de produção de conhecimento aplicado, voltado à qualificação do processo decisório e à melhoria da capacidade do Estado brasileiro de planejar, coordenar e executar políticas públicas de infraestrutura de forma integrada. Considerações finais O ano de 2026 apresenta um contexto decisório particularmente relevante para a infraestrutura e a logística no Brasil, marcado pela convergência entre um ciclo expressivo de investimentos, debates legislativos estruturantes e ajustes institucionais com efeitos de longo prazo. Esse cenário demanda mais do que acompanhamento pontual: exige análise qualificada, visão sistêmica e capacidade de interpretar como escolhas regulatórias, contratuais e legislativas se traduzem em impactos territoriais concretos.  Ao estruturar sua agenda a partir desses eixos, o NORA reafirma seu papel como observatório de inteligência aplicada, combinando leitura institucional do contexto brasileiro com análise comparada de experiências internacionais, de modo a qualificar o debate público e contribuir para políticas públicas mais assertivas e eficientes. Essa abordagem reforça sua missão e sua visão de longo prazo: infraestrutura e logística como vetores de integração territorial e desenvolvimento, orientados por coordenação institucional, planejamento e análise crítica.
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Por Sérgio Garcia 19 de janeiro de 2026
O Fórum Econômico Mundial de Davos consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos principais espaços de articulação entre lideranças políticas, empresariais e institucionais em torno das grandes transformações estruturais da economia global. Em 2026, o evento volta a ocupar papel central na coordenação de agendas estratégicas relacionadas à reorganização dos fluxos produtivos, à reconfiguração das cadeias logísticas e ao papel da infraestrutura como base material do desenvolvimento econômico e territorial. É nesse contexto que o NORA – Núcleo de Observação de Regiões Estratégicas & Ativos de Infraestrutura marcará presença em Davos 2026, reforçando seu compromisso institucional com a análise qualificada de infraestrutura integrada, corredores logísticos, ativos estratégicos e articulação entre políticas públicas nacionais e dinâmicas internacionais. A participação do Observatório se insere em sua missão de acompanhar, interpretar e traduzir debates globais relevantes para o planejamento de longo prazo e para o aprimoramento institucional do setor de infraestrutura no Brasil. Davos como espaço de coordenação estratégica em infraestrutura e logística Diferentemente de fóruns estritamente técnicos ou setoriais, Davos se caracteriza por reunir diferentes perspectivas — governamentais, empresariais, financeiras e institucionais — em torno de desafios estruturais que transcendem fronteiras nacionais. Entre esses desafios, a organização da infraestrutura e da logística em escala regional e global tem assumido crescente centralidade. As discussões previstas para Davos 2026 indicam a continuidade de um movimento observado nos últimos anos: a superação de visões fragmentadas sobre infraestrutura e a consolidação de abordagens integradas, que consideram rodovias, ferrovias, portos, hubs logísticos e conectividade territorial como partes interdependentes de sistemas complexos. Essa perspectiva dialoga diretamente com o campo analítico do NORA, que parte do entendimento de que gargalos logísticos e ineficiências territoriais são, em grande medida, resultado de falhas de coordenação institucional e de planejamento. Em Davos, a infraestrutura deixa de ser tratada apenas como tema técnico e passa a ocupar posição estratégica nas discussões sobre competitividade, produtividade e inserção internacional dos países. A eficiência dos corredores logísticos, a previsibilidade regulatória e a capacidade de articulação entre diferentes níveis de governo aparecem como elementos determinantes para a atração de investimentos e para a reorganização das cadeias produtivas globais. Infraestrutura integrada e desenvolvimento territorial Outro eixo central das discussões do Fórum Econômico Mundial diz respeito à relação entre infraestrutura integrada e desenvolvimento territorial. Em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de valor, ganha relevância a capacidade dos territórios de se integrarem a fluxos regionais e internacionais de produção e circulação. As agendas de Davos 2026 devem reforçar a importância de políticas públicas que promovam a integração entre regiões, reduzam assimetrias territoriais e ampliem a conectividade entre centros produtivos, zonas logísticas e mercados consumidores. Essa abordagem converge com os estudos desenvolvidos pelo NORA, que analisam a infraestrutura como vetor de organização do território e de indução ao desenvolvimento regional. Nesse sentido, o debate internacional evidencia que investimentos isolados em ativos específicos tendem a gerar resultados limitados quando não inseridos em estratégias mais amplas de integração territorial. A infraestrutura integrada passa a ser compreendida como um instrumento de coordenação espacial, capaz de estruturar fluxos econômicos e fortalecer a coesão regional. Articulação institucional e governança de ativos estratégicos As perspectivas para Davos 2026 também apontam para um aprofundamento das discussões sobre governança e articulação institucional no campo da infraestrutura. A complexidade dos projetos de grande escala exige arranjos institucionais sofisticados, capazes de coordenar atores públicos e privados, alinhar interesses e garantir estabilidade ao longo do tempo. Nesse contexto, temas como qualidade regulatória, previsibilidade normativa, coordenação intergovernamental e capacidade estatal de planejamento ganham destaque. O Fórum Econômico Mundial tem funcionado como espaço de circulação de experiências e modelos institucionais, permitindo que países comparem estratégias, identifiquem boas práticas e reflitam sobre seus próprios arranjos de governança. Para o NORA, acompanhar essas discussões é fundamental para compreender como diferentes países estão enfrentando desafios semelhantes aos brasileiros, especialmente no que se refere à fragmentação institucional, à sobreposição de competências e à necessidade de integração entre políticas setoriais. Davos e o alinhamento entre agendas nacionais e internacionais Um dos aspectos mais relevantes do Fórum Econômico Mundial é sua capacidade de promover o alinhamento entre agendas nacionais e dinâmicas internacionais. Davos não é um espaço de formulação normativa formal, mas exerce forte influência na definição de prioridades, narrativas e estratégias que acabam sendo incorporadas aos processos decisórios domésticos. A participação do NORA em Davos 2026 reflete a compreensão de que fóruns internacionais são espaços estratégicos de aprendizado institucional e de posicionamento. Ao acompanhar os debates globais sobre infraestrutura integrada e logística, o Observatório fortalece sua capacidade de contribuir para o debate público nacional, oferecendo análises comparadas e subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas. Nesse sentido, Davos se apresenta como um ambiente privilegiado para observar como temas como corredores logísticos, integração regional e governança de ativos estratégicos vêm sendo tratados em diferentes contextos institucionais, permitindo ao NORA aprofundar sua atuação como centro de inteligência aplicada. Considerações finais A presença do NORA no Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 reafirma o papel da infraestrutura integrada e da logística como elementos centrais das transformações econômicas contemporâneas. O evento se consolida como espaço estratégico para a articulação de visões de longo prazo, para a troca de experiências institucionais e para o alinhamento entre políticas públicas nacionais e dinâmicas globais. Ao marcar presença em Davos, o NORA fortalece sua missão de observar, analisar e traduzir debates internacionais relevantes para o desenvolvimento territorial e para a governança da infraestrutura no Brasil, reafirmando sua visão institucional: infraestrutura como integração para o futuro .